Abuso sexual na infância
Hoje vou falar um pouco desse tema chato, mas que deve ser
falado para que muitas meninas não passem por isso. Todos os dias nos veículos de
comunicação vemos crianças mortas após sofrerem abusos sexuais. Isso é muito triste,
mas a verdade é que isso parece fazer parte da cultura machista brasileira, sei
que meninos também são abusados, mas em sua maioria são meninas a idade varia,
desde o dia do nascimento, não tem ou não estou a par de dados específicos, sei
é que faço parte dessa estatística. Hoje não vou falar do abuso que sofri, mas
vou narrar a história de uma moça que me chamou para conversar, depois de ter
visto que entrei em um grupo de apoio.
De início ela me abordou perguntando se eu já tinha passado
por algo, disse que estava em busca de amizade de alguém para desabafar. Fiquei
com medo de ser um perfil falso e logo dei uma checada, mas tinha fotos dela em
várias situações que me pareceu ser um perfil real.
Logo ela já disse que estava tendo muitas lembranças do passado.
“ Sonhos”, quis saber se eu já tinha contado minha situação para alguém ou se
guardava segredo,eu disse que o meu alguns familiares e amigos sabiam, mas a
verdade que se tratando de familiares pouco se importavam.
Ela disse que guardava como segredo, porque tinha muita
vergonha e medo de ser julgada. Disse que sofreu abuso do pai e que só entendeu
que era abuso aos 13 anos na escola. Falou que era muito apegada ao pai, que a
mãe morreu quando tinha 8 anos e que ficou só ela e o pai. O pai levou ela para
dormir na cama com ele e acariciava de várias formas, assim como tocava em suas
partes intimas e dizia que era “carinhos”. Segundo ela o pai não deixava faltar
nada a ela “ daí a manipulação”. Aos 15 anos o pai a penetrou. O ato da
penetração foi uma única vez, mas dos “carinhos” durou 7 anos.
Ela disse que o pai em seguida arrumou uma namorada e casou,
a deixando em paz. Mas a partir daí ela foi tendo consciência de todo ocorrido,
foi onde começou seus problemas psicológicos. Disse que aos 12 / 13 anos as
meninas da escola falando em namoro, beijos carinhos e ela já fazia tudo isso
sem saber que era errado, porque fazia com o pai. Disse que na escola tinha
poucas amizades e sofria bullyng por ser muito tímida, o pai alertava que o
carinho era um segredinho deles.
Falou que após o afastamento do pai ela se tornou compulsiva
por sexo passando a se relacionar com muitas pessoas e daí surgiu outro
problema uma rejeição familiar e julgamentos.
Essa moça está a hoje na casa dos 20 anos e tentando de
alguma forma conseguir ajuda. (...)
Mas enfim o que me chamou atenção é como quando o abuso vem
de dentro de casa, como é o perfil do abusador, muitas vezes faz a criança acreditar
que aquilo é normal que é um carinho. Ou de ter cuidado com o ato para que não
haja dor física para criança ou as vezes propicia até prazer a criança. Isso
quando a criança toma consciência de si e do fato ocorrido é devastador porque
a faz sentir culpada como se em algum momento ela tivesse desejado e buscado
aquilo.
E o pior é que tantas mulheres passaram e meninas continuam
passando por situações assim, as vezes com pai, padrasto, irmãos mais velhos,
primos,etc. È preciso de um basta nessa situação a pessoa abusada nunca é de
fato curada!
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