Ser mãe um parto que nunca termina.
Jurei na adolescência nunca ser mãe, até pedi para que “Deus”
lacrasse meu ventre, isso pode parecer absurdo, mas não foi uma decisão baseada
na razão deliberada, isso foi baseado nos traumas que a infância deixou em mim,
mas enfim me casei e se passaram 10 anos. De vez enquanto o desejo da
maternidade vinha, passava, entretanto, parece que a medida que as células envelhecem
o desejo de se perpetuar vai aumentando e isso aconteceu quando cheguei aos 30,
repensei a questão da maternidade e deixei nas mãos dos seres superiores. Com
34 anos comecei a tomar anticoncepcional devido a um fluxo menstrual intenso e
muitas cólicas. Foi nesse momento que meu raio de luz me encontrou. Nasceu em
outubro de 2020 em meio a pandemia de covid.
Durante a gravidez, muitos medos silenciosos e o pior era o
da morte, até então nunca tinha temido a morte, por muitos momentos havia a desejado,
mas agora era diferente, aquele ser indefeso precisava de mim, então tudo tinha
que correr bem, no parto, na recuperação em tudo. Agora ele está com 3 anos e
eu que outrora desejei a morte, hoje oro e peço a Deus para prolongar meus dias
na terra, pelo menos o suficiente para ele se tornar independente, sei que além
de mim ele tem um pai que por enquanto a ama de resto a família materna é em
99% lixos humanos, se depender deles é preferível meu filho ir para adoção, mas
que isso não seja necessário é o que peço a Deus.
Então é isso, filho não termina de nascer no parto, não sei
se um dia termina. Pelo meu filho fiz coisas que em outros tempos jamais faria,
forçar meu corpo a curar, trabalhar com dores terríveis porque preciso trazer
alimento e conforto para ele, calar em muitos momentos onde deveria gritar e
por ai vai.
Meu filho me faz renascer todos os dias, buscando ser uma
pessoa melhor afim de merecer a escolha que me foi confiada ser digna de ser a
mamãe dele.